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sábado, dezembro 09, 2006

espelho


na minha alma
vi ontem por onde andavas

andavas calmo
em passos sombrios

não estavas enfim
com olhos em mim

na minha alma
ontem vi os teus olhos grandes

mansos de paixão
tentados de desejo

tu habitas o que queres
e eu nem posso te expulsar

A ti pertece
tudo o que eu nem posso

Nem sei como
um apontar

Na minha alma
tu jas como espelho

e tu mostras
misteriosamente tudo

o que esconde meus sorrisos
e controi meu olhar...

sim

sim...
sim...
sim...
sim...
sim...
sim...

eu não sei onde mora o não
eu não sei onde está meu chão

mas eu piso no ouro
dos meus sonhos gloriosos.

domingo, novembro 26, 2006

Testamento


Deixo perante um mórbido
pôr-de-sol
passos pesados e trôpegos
de alguém que mal aprendeu a caminhar

Deixo noites insanas
tomadas por vazios profundos
e horas de risos idos

Deixo um mar de lágrimas
pra alguém navegar
e travesseiros que pouco
me permitiram dormir

Deixo beijos por dar
amores por amar
laços... que se enlaçam
pra sempre irão enlaçar

Deixo cinzas
de glória
de amor...

Deixo um punhal
que foi ilusão
que me matou

Deixo o desterro de um adeus
que sempre mostrará mais
amor do que morte

sábado, novembro 25, 2006

comentário breve

Saudade, sinto sim... de horas que não pude conter, e que agora não posso esquecer. Saudades de noites brandas em que meu coração sonhava com outro por-do-sol.
Noites em que eu tinha sonho pra sonhar e estrela pra catar... e por na minha escuridão.
Eu não posso falar que hoje o céu está escuro, mas ele ainda não me mostra o meu cruzeiro do sul.
Eu queria que a saudade não exitisse... que ela não me partisse ao meio. Que não fosse esse espinho, que entra e inflama tudo.

se eu pudesse criar novas teorias sobre o mundo, inventaria o remédio pra alma que fizesse apagar a saudade... que criasse na mente humana um antídoto perfeito para todos esses deuses de amor e medo...

Saudade das antigas ideologias

quarta-feira, novembro 22, 2006

Passos


Em passos curtos
caminha o dia
e como caminha!!!

Em passos te achei
e em passos te perdi...

será tu presente divino?
amor profundo pra mim?

em passos fortes
... mesmo assim te segui

Agora eu aqui...
sem passos sem braços

Sem passos
pra te seguir!!!

Mas em passos
ainda moras em mim...

sereia


Sereia...
tu não estavas nas pedras?

Tu não cantavas serenatas?

Sereia...
tu não embriagavas os marinheiros?

Sereia...
tu não vivias nas águas?


Sereia...
O que aconteceu?

Sereia...
por acaso deixaste tocar em ti
o veneno do amor?

Solidão


na noite fria
e calada
em mim vagueia uma grande dor
Chamo...
procuro
e nada vem ao meu encontro

o doce da vida
se torna amargo

o que tinha cor agora é apagado

agora... fecho os olhos
e as horas fazem
o sono fugir...

terça-feira, novembro 21, 2006

Ilusão


Eu quis beber
o vinho seco
com a garganta molhada
e quis voar sem asas
e nadar sem aguá...

Eu quis cantar
o som das águas
nem onda fui
nem ligeira maré...

Eu quis saber
dos segredos do baú
mas esqueci que não tinha chaves
e sem querer derrubei ele no poço

Eu quis fechar os olhos
quando eles deveriam
ver o brilho do sol
e quis abri-los
qaundo er hora de dormir...

Eu quis esquecer
como é ruim existir
mas não deu...
você não é meu...

Ilusão sim
querer ter...
querer ser...
querer poder...
sem poder...

agora ter que esquecer...
ilusão
...ilusão marca pra sempre

Então até nunca mais
meu espelho quebrado

domingo, novembro 19, 2006

Solução


Solução


Percebeu-se hoje
Que existe uma fórmula secreta
Para todas as coisas do mundo.
Uma fórmula que cura
O coração partido...
O amor perdido
A dor que não para de desatinar
A solidão que não abandona
A escuridão que não se acaba
Alguém percebeu hoje
Pensando nas dores piegas
Que desesperam o peito
Que tudo tem um remédio antigo...
Como o soprar dos ventos
E talvez ele seja menos mecânico
Como o mostram nos ponteiros dos relógios.

Horizonte


Horizonte


O horizonte vejo
Diante de ti... mar profundo
Descubro tua imensidão
Viajo por ti
Minha esperança não acabará nunca
Enquanto navegar em ti
Minha eterna promessa...
... meu mar

De repente

De repente

Queria te ver de repente
Meio que sem querer
Tocar teu rosto
Barba mal-feita
Sorriso rasgado
Feliz por me ver...

Eu queria tocar na tua pele
Mãos no pescoço
Te agarrando um pouco
Sem te explicar por que


Eu queria beijar tua boca macia
Me embriagar no teu gosto
Gravar o teu rosto
Por minhas mãos no teu corpo
Viver a loucura que é você.

Eu queria fazer cara de zanga
Até você vir me ver
Fingir de cara lavada
Que eu fiquei magoada
Mesmo sem ter por que.

Fazer você cantar pra mim
Fazer você voltar pra mim
Fazer você estar em mim
Antes de escurecer...

Ser teu último remédio
O teu último suspiro
Teu alívio e teu consolo.
Eu queria ser a brisa
Que toca teu rosto antes de anoitecer.

Amar é proíbido

Amar é proibido


Não adianta mais chorar
Tampouco ferir
Não adianta gritar
Nem desamarrar os árduos protestos [ do peito
Não adianta mais a luz
Nem o calor da estação
Não adianta mais sorrir
Nem comer,
Nem dormir,
Nada além da morte
Vale tanto a pena
Simplesmente por que
Amar é proibido...

sábado, novembro 18, 2006

Eu

Eu


Em tudo que demonstrar-lhe
Serei eu...
Mulher, dona, sereia...
E em todo meu coração
Habitarás
Reflexão nua,
Pelo espelho da minha alma.
Serei vilã,
Mocinha,
Escreverei teu nome
nas paredes minhas
e o teu perfume
derramarei sobre mim,
esperando apenas,
que um dia
tu venhas consolar-me.

Remédio

Remédio


Senti nas tuas mãos uma febre
Eu sempre quis ser seu remédio
Vidros bulas... comprimidos
Teu posto de saúde eficiente
Nada que pudesse ser imutável
Atingiria tuas receitas.
Tudo seria calmo
Como a canção das ondas
Trôpega... entorpecida
Eu não queria ser o motivo da tua doença
Tatuada no veludo negro
Brasa de desejo traçado
Quem poderia saber?
Senti em teu peito
Coração acelerado
Batidas que amo
Sem esse som
Não haveria sentido pra este verso
Deixa pra lá...
É interessante apenas que eu cure
Tudo que houver em teu peito.

Ponte


Ponte


Entre a minha casa e a tua
Há uma ponte de estrelas
Que me faz atravessar
Rumo ao teu paraíso
Que deveras me faz
Perder meu inquieto juízo
E aos poucos perder a noção
De viver na solidão.
Essa ponte de estrelas saltitantes
Me faz ser tua amante
Na mais fria estação
Quão importante é minha ponte
De segredo
De paixão!

O menino e a janela


O menino e a janela

Havia uma janela
[bem pequena]
Havia também um menino
[muito menino]
Mas seus sonhos eram gigantescos
Havia uma leve brisa
Que vinha de fora
E entrava pela janela
E essa brisa despertava algo no menino
E de dentro para fora iam e vinham idéias brilhantes
O horizonte era uma alvorada
O anoitecer um mal eterno
O amanhecer uma promessa continua
O menino contemplava tudo
Com os olhos bem abertos
E o peito apertado
O mundo era quase algo intangível
Mas o mundo não parecia engraçado
E todos aqueles sonhos mirabolantes
Onde caberiam?
Ninguém sabe...
Um dia amanheceu mais frenético
E aquele menino virou um homem
Foi da janela
Que o menino olhou o mundo
E descobriu que ser homem
Não permite mais contemplar o mundo
Por janelas...


Kethlene

Poemas de todas as horas

Poema de todas as horas


Duas horas da manhã
Não há ninguém na rua
Apenas a solidão caminha em passos curtos
Completamente cabisbaixa

Seis horas da manhã
O dia insiste em nascer
E sob o sol uma esperança
E as gotas de orvalho da madrugada se desfazem...

Meio dia
O mundo anda frenético
Ninguém se olha nos olhos
Todos procuram um abrigo
Onde possam brilhar mais que o sol

Cinco da tarde
Um casal de namorados sobre a cama
Repousam os corpos um sobre o outro
Beijam... beijam
Entre promessas de nunca dizer adeus


As dez da noite
O mundo se desfaz
Os meninos sonham em paz
As andorinhas quietam-se nos fios de luz
O calor dá lugar ao frio
Algumas estrelas brilham
E mais uma vez aparece a solidão

Tempo

Tempo



O tempo
É como um pássaro
Preso numa gaiola
Quando ganha a liberdade
Voa desesperado,
As vezes largando
As penas de condenado,
É livre...
Se diverte...
Deixando saudade
Naqueles que sabem
O que é amar de verdade.

Odio

Ódio


A raiva, o ódio
A impotência, a tristeza
Todos iam rosto abaixo
Marcavam singelamente
O universo insondável
Em que mergulhava
Agressivamente, silêncio somente
A medida que própria
Vontade de viver
Tornava-se incerta
Até a penumbra
Fazia com que a realidade
Fosse cada vez mais a realidade
E a tristeza mais triste
E a vida sem sentido.
O universo
Não é justo,
As águas não são cristalinas e...
Os poços nem sempre tem fundo.

neblina


Neblina


Acordo... há neblina
Brisa fresca, solidão
A rua frenética
O mundo frenético
Dentro de mim silêncio... vazio
As portas abrem
Algo as fecha
Procuro abrigo
Na tarde... tempestade
Meus olhos contemplam
A vida contempla...
Meu porto é vazio
E as águas inconstantes,
Não há maré.
O céu escuro, esconde de mim as estrelas
Minhas lágrimas não me incomodam
Há cor em mim
Mesmo com todo o preto e branco aparente.
O anoitecer me alivia
O amanhecer me faz promessas
Eu não fujo do sol
Ele está sempre aqui
... mas só brilha com o teu sorriso.

lirio da noite


Lírio da noite


Nem tantos são os segredos
Nem perdidos estão os desejos
Nem áspero nem azedo,
Vivo está o lírio da noite,
Sozinho na multidão
Quão só pode ser um coração!
Lírio branco... inundando
Lágrimas de solidão

Nem tantos são os segredos
Nem perdidos estão os desejos
Nem áspero nem azedo
Vivo está o lírio da noite
Chorando... temendo
O abismo de solidão...
Nem tanto são os segredos
Nem perdidos estão os desejos
Nem áspero nem azedo
Vivo está o lírio da noite.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Lágrima


Lágrima


Quando tu choras
Um pedaçinho do universo
Rola teu rosto abaixo
E tua lágrima
É uma corrente sólida de desilusão
E tudo que tu pensas
É um sonho distante
E tudo que tu queres
Nunca está ao teu alcance
E tu segues...
Segues com uma vela de cera
Na doce e amarga escuridão
Segues trôpega em silêncio
Sem por um momento esquecer
Que existe sol.

Minha alma

Sobre o futuro


Um dia eu terei que aceitar
Que não posso titular minhas
As estrelas do firmamento
E terei que olhar o sol
Não mais com a inspiração poética
De ontem e de agora
...terei que compreender
Que a beleza das rosas
Não mais poderá me seduzir
E terei que parar
De caminhar pelas ruas
Tentando ver velhas lembranças
De tempos
[que como antes]
não voltam mais
Precisarei sentir que o calor
aquece mais que o metal exposto

E terei que olhar no meu próprio rosto
Cada marca que o tempo deixou
E esse dia de martírio
Também será dia de riso incontido.

E se acaso eu vier a sentir um nó na garganta
Tomarei o néctar
Do desejo que em mim se realizou
Deixar-me-ei queimar
Pelas chamas ardentes
Que um dia o amor incendiou em mim...

Olharei para trás com a certeza
De que não poderei mais
Iludir-me com estradas para frente
Já não haverá mais tempo de caminhar por elas

Restar-me-á o saldo
De ainda que mal ter um dia caminhado.
Ter um dia desejado possuir as estrelas
Ter admirado o sol
Ter me deixado seduzir pelas rosas
Ter caminhado pelas ruas descompromissadamente
E poder olhar que as marcas do tempo
São marcas que contam para a história.


Kethlene Vanzeler

futuro retrato

Sobre o futuro


Um dia eu terei que aceitar
Que não posso titular minhas
As estrelas do firmamento
E terei que olhar o sol
Não mais com a inspiração poética
De ontem e de agora
...terei que compreender
Que a beleza das rosas
Não mais poderá me seduzir
E terei que parar
De caminhar pelas ruas
Tentando ver velhas lembranças
De tempos
[que como antes]
não voltam mais
Precisarei sentir que o calor
aquece mais que o metal exposto

E terei que olhar no meu próprio rosto
Cada marca que o tempo deixou
E esse dia de martírio
Também será dia de riso incontido.

E se acaso eu vier a sentir um nó na garganta
Tomarei o néctar
Do desejo que em mim se realizou
Deixar-me-ei queimar
Pelas chamas ardentes
Que um dia o amor incendiou em mim...

Olharei para trás com a certeza
De que não poderei mais
Iludir-me com estradas para frente
Já não haverá mais tempo de caminhar por elas

Restar-me-á o saldo
De ainda que mal ter um dia caminhado.
Ter um dia desejado possuir as estrelas
Ter admirado o sol
Ter me deixado seduzir pelas rosas
Ter caminhado pelas ruas descompromissadamente
E poder olhar que as marcas do tempo
São marcas que contam para a história.


Kethlene Vanzeler

Sentido

Sentido


Bilhões de estrelas
Em um único céu
São tantas as belezas
Porém nenhuma certeza...

Um único sentido...
Em misto de avesso e desavesso
Nitidamente estonteante
Poço sem fundo...
Será mesmo possível?

Águas vêm e vão,
Água que cai e brota do chão...
Por que tanta luz?
Por que tanta escuridão?

Apenas um resquício de vida
Porque sete mares?
São tantos os continentes
A vida é sozinha
E tanta água pode afogá-la...

Brilho da lua

Brilha a lua

Brilha a lua, sem saber brilhar,
A lua esconde seus cabelos
Sobre as ondas do mar
O vento sopra sobre as ondas
Pelo brilho do seu olhar
As nuvens encobrem o céu
Pomposas nuvens a dançar
A vida leva a lua
Sobre as fases do sonhar
E a lua sobre nuvens
Passa a vida a brilhar.
A lua descobre seus caminhos
E o tempo embala seu caminhar
A lua brilha
Sem saber brilhar
A lua esconde seus cabelos
Sobre as ondas do mar.

Encantos

Encantos do amor

Ah o amor enlouquece!
Faz agente esquecer de viver
Tem armas mortais
Não tão irreversíveis quanto fugazes
Que consomem a esperança

Mas o amor tem lá seus encantos
Indefinidamente íntimos
Deveras alheios a constância
Mas tão belos...
Quanto a alvorada
Que cada dia surge
Com novos raios de luz
Para nos provar
Que tudo um dia passa
Mas sem amor
Nada tem o mesmo
Fulgor ou beleza.

kethlene

Acompanhante

Acompanhante



Me deixa ser teu doce
Para aliviar teus dias amargos

Me deixa ser tua Dulcinéia
e fugir contigo em busca de heroísmo

Me deixa achar para ti
o consolo dos dias sem sol

Me deixa polir tua armadura
e carregar tua espada

Eu também sei fingir
que são dragões os moinhos de vento.

kethlene

Cavaleiro do lago

Cavaleiro do lago

Entre a neblina
E o som da brisa no lago
Pairava a imagem de um cavalheiro
Armadura dourada e espada afincada

Na solidão daquele momento
Nada mais que seus próprios tormentos
Não havia como disfarçar diante
Do reflexo daquelas águas

Pouco tempo depois um toque cândido
Na sua armadura de metal
Era rainha que lhe jurava amor...

Pobre cavalheiro do lago...
Aquele amor pesava sobre ele
Mais do que a traição à Távola.


Kethlene Vanzeler

Primeira poesia

Belém, 18 de setembro de 2006

Ainda chove

Chove... a chuva é fraca
Não molha os campos verdes
[como em outrora]

Chove... um vazio enluarado
E apenas as margaridas secas se molham
Na chuva calma que escorre fina
Por entre os lábios

Chove... e o vento sopra
Derruba as mangas
Que não tiveram tempo de ficar maduras

Chove... e a cidade fica mais antiga com a chuva
E não há mais aquele aroma de mato bem verde
E não há mais a sensação de glória

Chove... sobre o gozo das aves
Que sempre voam indo embora
E sobre as lágrimas
De um tempo
Que não mais te apavora

Chove... e um frio congelante
Não demora
E sobre estes versos um dia também cairão gotas de água.

Kethlene